terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

As Crenças


De antemão, cabe pequena advertência. A substituição da tradicional palavra latina crear pelo neologismo moderno criar é aceitável em nível de cultura primária, porque favorece a alfabetização e dispensa esforço mental – mas não é aceitável em nível de cultura superior, porque deturpa o pensamento.
Crear é a manifestação da Essência em forma de existência – criar é a transição de uma existência para outra existência.
O Poder Infinito é o creador do Universo – um fazendeiro é um criador de gado.
Há entre os homens gênios creadores, embora não sejam talvez criadores.
A conhecida lei de Lavoisier diz que “na natureza nada se crea nada se aniquila, tudo se transforma”. Se grafarmos “nada se crea”, esta lei está certa, mas se escrevermos “nada se cria”, ela resulta totalmente falsa.
Por isto, prefiro a verdade e clareza do pensamento a quaisquer convenções acadêmicas.
            Por que digo isto? Porque me foi solicitado falar sobre crenças. Sim, crenças e minha relação com as tais.
            Mas o que se entende exatamente por crença? Noto que também daí podem resultar as mais variadas interpretações. Surgem conceitos de toda ordem. Poder-se-ia dizer apenas: É a certeza que se tem de fatos que se não podem comprovar e coisas que se não vêem. Ao menos por ora.
Como ilustração, poderia citar a Cosmologia atual. Dois são os entendimentos que dominam, basicamente, o momento:
1 - Tudo começou espontaneamente, ao acaso.
2 – Houve um agente causador.
Duas teorias, duas crenças. Alguém pode provar? Não! Ou, pelo menos, ainda não. Note-se a ausência de qualquer tipo de religiosidade.

Seguindo essa linha de raciocínio, poder-se-ia, agora, perguntar: Quando o homem saberá tudo sobre o átomo? Simples: quando souber fazer um. Quando terá domínio sobre uma estrela? Da mesma forma: quando souber fazer uma. Quando o homem terá pleno entendimento sobre Deus, o Criador?
Eu disse Criador? Perdão! Quis dizer Creador.
A questão é saber se tenho algum entendimento sobre Deus? Não, não tenho. Alguém tem? Gostaria por demais conhecê-lo.
Entre a ignorância e o fanatismo existem possibilidades mil. Entre céticos e crentes há discursos incontáveis. Quem está certo? Alguém? Ninguém? Todos? Não me arrisco a dar palpites. No entanto, desconfio de todos.
Não houve, até hoje, alguém que se me apresentasse confessando ter uma proposta equivocada. Tampouco, de segunda categoria. Todos, exatamente todos, afirmam ter a verdade. Sim, todos. De um espectro que vai do esdrúxulo ao razoável, do lastimável ao interessante, todos juram saber. E sabem tanto, que até nome aos deuses dão.
Susan Sontag, jornalista americana, afirmou certa ocasião: “Não tenho medo daqueles que procuram a verdade, mas tomo muito cuidado com aqueles que dizem já tê-la encontrado”. A minha prudência particular sugere o mesmo.
A verdade simplesmente é. É o que é!
Vi, certa feita, um homem lançar-se do alto de um edifício. Cria poder voar. Espatifou-se. Sua crença ignorava a lei da gravidade. E lei é lei. Lei é verdade. Lei é. É o que é.
Crenças têm fabricado morte. Mortes estúpidas e aos montes. Crenças têm levado à guerra. Todavia, também tenho visto crenças produzindo verdadeiros milagres. E vidas foram restituídas onde já parecia impossível. Poderia alguém afirmar que o mundo seria melhor se não as houvesse?
Não me restam dúvidas, quando posso escolher entre fatos e suposições. Mas devo dizer que me sinto muito à vontade, com o Creador. Pois não creio, mas sei que Ele simplesmente é o que é.

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