Fiz meu chimarrão. Peguei minha cadeira de praia, meu boné, um bom livro e fui. Fui a um lugar chamado Morro das Pedras. Mar grande, bravio, ondas agitadas. Um verdadeiro espetáculo. Acomodei-me o mais próximo possível, desejava ver aquilo de perto. Lugar ideal para refletir. Lugar ideal para sentir.
Já instalado, servi uma cuia. Momento ímpar. Decidi que o livro poderia esperar. Todavia estava ciente que poderia ter de sair correndo a qualquer momento. Claro, se desse tempo. Ondas em série quebravam à minha frente. Dei-me conta do privilégio que estava tendo.
Nesse vai-vem da água formou-se uma grande onda. E com toda a força arremessou-se contra as pedras e boa parte desintegrou-se no ar. Senti sua névoa sobre mim, seu gosto salgado em meus lábios. E isso me fez refletir.
Sim, segundos antes, essas gotículas de água que me umedeceram a pele estavam no fundo do mar. O sal que agora experimentava em minha boca fazia parte do oceano. A água que sorvia no chimarrão, circulava no subsolo. A erva mate, nas folhas de uma planta.
Dei-me conta que tudo estava sendo colocado ao meu dispor. Tudo aquilo que eu precisava para viver. As estrelas estavam sintetizando todos os elementos necessários para que a minha vida fosse possível. O universo conspirando a meu favor.
Se o universo todo conspira a meu favor, por que deveria eu temer uma onde se insinuando à minha frente? Porque deveria eu ter medo do mar? Mesmo que uma onde me abraçasse e me levasse mar à dentro, não seria isso um ato amoroso? Por acaso, uma “onda” qualquer não vai, dia desses, me levar? Por que temer?
E senti o medo me deixar. E aqueles momentos fazem parte hoje, das melhores sensações que já experimentei.
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